Correspondências quase diárias (Sensações atemporais...) (6)



Em algum lugar de mim, 21 de junho de 1936.

Saúdo-te, meu querido com carinhos e com ternuras, porém já vou direto àquilo que tenho a lhe dizer...

Ando num esgotamento de paciência e insônias. Tantas noites em claro! Tantos caminhos sem chegadas.

Outra coisa a me aborrecer são os dias de chuva sem cessar. Eles parecem infinitos e me levam a uma tristeza sem fim.

Espero avidamente pelo sol das manhãs, mas o que me vem são gotas grossas e densas de água um tanto salgada.

Há poucas belezas que me restam e me encantam.

Caminho por silêncios longos e assustadores que me possuem e, somos assim, perfeita companhia - eu e a ausência de palavras ditas. As palavras e os silêncios interditos cabem à sua interpretação. 

No mais, também é um esforço doloroso escrever-te, quando queria mesmo era ter-te por perto, tocar-te as mãos e espiar um tanto dos teus olhos.

Um leve beijo e um breve abraço

Penélope





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