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Mostrando postagens de Agosto, 2017

Correspondências quase diárias (Sensações atemporais...) (8)

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Em algum lugar de mim, 12 de janeiro de 1954
Já se foram os dias de festa, mas as pessoas continuam num transe frenético e seus movimentos são tão bruscos e grosseiros que me sinto machucada. Não! Não é a felicidade que me incomoda! O que me atormenta é o esboço dela, a sua caricatura, estampada nos rostos vazios que tenho encontrado. E fala-se alto e, ainda erguem brindes ao tudo e ao nada. Preciso arrumar meus pensamentos, meu querido. Silenciar de ponta a ponta as margens deste mar que percorro todos os dias, esvaziando cada gaveta que está em desalinho. Limpar os cantos mais omissos. Criar coragem e sacudir a alma de tantas coisas inúteis que tenho carregado. Praticar o desapego, pois tenho vínculos fortes com certas pessoas, lugares e objetos, que não me fazem bem. Necessito fechar portas e ficar no escuro, onde nada venha a se propagar. Quero tanto deixar minhas amplitudes zeradas, puras...  Procurar minha calma e dentro dela poder encontrar digitais e particularidades tuas que só esse…

Desopilando o fígado...

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A gente faz planos, mas não pode deixar tudo muito amarrado senão não flui, não viceja. Eu quero uma vida viçosa, abundante, pois passo horas na semeadura. Fiquei mais de uma semana sem passar por aqui, mas, agora que consegui chegar vou fazer uma limpeza na alma, uma varredura no coração... vou mesmo é desopilar o fígado, para não ficar amarga! O bom é ser doce, de abacaxi e laranja que tanto gosto. Nada de fel! Esbanjemos dos açúcares e, para os diabéticos, caprichemos na sucralose.
Em breve terei novidades! Tudo fervilhando por aqui!
Mesmo com a doença do meu pai, ou melhor, mesmo com a doença dos meus pais, pois minha mãe passou por uma depressão muito grande - essa tal de crise do pânico - o que na verdade nada mais é do que a alma triste que faz com que o cérebro para de produzir serotonina (ALEGRIA), eu descobri que tenho que caminhar.
Tenho que cuidar deles, isso é fato, mas a minha VIDA continua! Trabalho não falta! Tempo a gente arranja, porque sou do tipo que, quanto mais faço, mais a…

Leitura noturna...

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Leia meus versos no silêncio da noite.  Eles trazem minh'alma e, nela, os poemas da minha vida inteira.  Desvelam o que em mim ainda não compreende - linguagem de loucuras; meu simples estremecer, diante da brisa; partes escuras e ofendidas... aquelas, que a brisa não acaricia.  Perceba, nas entrelinhas, verdades e mentiras, e tudo o que mais queira perceber nestas minhas linhas inconstantes...  E assim, conforme a noite te passa, na fosca luz da madrugada, pense-me, uma vez ou outra... sonhe com os beijos das nossas bocas e, dentro deste presente/pretérito, mais que perfeita conjugação, deixa-me, no infinitivo, neste amar-te, perdidamente, aqui, distante, enquanto me lê.
Malu Silva

Correspondências quase diárias (Sensações atemporais...) (7)

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Em algum lugar de mim, 11 de julho de 1965.
Um dia disse-me por Alice Vieira - " SEMPRE AMEI POR PALAVRAS MAIS DO QUE DEVIA. aS PALAVRAS SÃO PERIGOSAS QUANDO AS SOLTAMOS."
As palavras nos revelam. Mostram as nossas fragilidades que, por questão de sobrevivência alheia, usam nossas revelações para nos exterminar! Mas, mesmo assim, lá estamos nós, a escrever nosso coração fora do peito, desnudando nossa alma sem meias palavras, somente com sentimentos. A vida é uma enorme pedra de gelo que nos queima com a sua frieza. Para nos mantermos viventes há que se mostrar as garras todos os instantes, com poesia, com delicadas palavras, cheias de sons, de fonética, que escolhemos a dedo, para amenizar o monstro que existe em cada um de nós... E somos monstros porque temos medos. Todo ser cruel é fruto de medos! Fico a pensar que todos nós somos vítimas de nossos desafios, assim como foi Lady MacBeth. Sempre haverá uma luta contra nossas antíteses, não importa o tempo e muito menos nossas person…

O que penso sobre jardins...

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Gosto mesmo é de flores, mas não tenho mitas delas. Aliás, não tenho nada e tenho tudo; tenho pássaros, flores, insetos... tudo o que há no mundo eu tenho, mas nada é meu! É do mundo! Não acumulo nada! Bastam-me as flores que nascem nos jardins, que também não são meus! Gosto das rosas azuis, apesar de saber que, para obtê-las é preciso tintura. Gosto de gérberas, hortênsias, miosótis, amores-perfeitos, calêndulas, alfazemas, orquídeas, lírios... gosto de soprar os dentes-de-leão. Tenho uma orquídea que me pertence há anos e um lírio da paz que floresce todos os anos, enchendo o vaso de grandes alegrias. Tenho um canteiro em casa e minha diversão é ver nascerem as pequenas plantas. Tudo vai se criando, florescendo, juntando revoada de borboletas. É isso que me encanta nos jardins - essa abnegação... essa harmonia na disseminação dos pólens... Tenho também os pássaros que vivem pelas minhas janelas a me fazer visitas. Há um beija-flor que invade sorrateiro minha sala e faz festa pelo lustre. Ten…

Na minha simplicidade...

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❝ O amor nunca se foi. O que foi era o sentimento do outro. Meu peito sempre esteve aberto em palavras e gestos. Se me sentiram calada é porque não souberam ler o explícito. Nunca fui rebuscada, nem cultivei os rococós ou excessos... pelo contrário - sempre me apresentei na nudez do simples, na clareza absurda de quem se doa, por inteiro.❞
Malu Silva

Das nossas ausências...

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❝ Ainda persistem os dias de ausências, de silêncios longos e desoladores.  Mas são esses instantes incompreensíveis e inférteis que mais me descubro repleta de esperanças. São nesses momentos de lacunas em que descobrimos nossas maiores capacidades. São nos nós dos avessos que conseguimos dar conta de terminar os mais finos bordados.❞
Malu Silva

Céu da tarde...

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Essa tarde olhei para o céu. Perdi-me na amplidão de um azul que não se pinta... que não se classifica. Eu vi os pássaros passarem e, nas suas asas, levarem, para bem longe, todas as dores do mundo.
Malu Silva

Das nossas noites...

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Há noites que são intermináveis e trazem consigo a dureza da vida, porém acompanhadas da candura dos anjos. Os anjos são perfumados e carregam nas mãos gotas de jasmins. Vão lavando os corredores da nossa alma, abrindo janelas para a entrada do sol, das manhãs que sempre chegam. essas mesmas noites mostram os horizontes de todos os nossos sentidos onde, os sonhos sonhados nos levam a descobrir, corajosamente, nossas fragilidades.
Malu Silva

Correspondências quase diárias (Sensações atemporais...) (6)

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Em algum lugar de mim, 21 de junho de 1936.
Saúdo-te, meu querido com carinhos e com ternuras, porém já vou direto àquilo que tenho a lhe dizer...
Ando num esgotamento de paciência e insônias. Tantas noites em claro! Tantos caminhos sem chegadas.
Outra coisa a me aborrecer são os dias de chuva sem cessar. Eles parecem infinitos e me levam a uma tristeza sem fim.
Espero avidamente pelo sol das manhãs, mas o que me vem são gotas grossas e densas de água um tanto salgada.
Há poucas belezas que me restam e me encantam.
Caminho por silêncios longos e assustadores que me possuem e, somos assim, perfeita companhia - eu e a ausência de palavras ditas. As palavras e os silêncios interditos cabem à sua interpretação. 
No mais, também é um esforço doloroso escrever-te, quando queria mesmo era ter-te por perto, tocar-te as mãos e espiar um tanto dos teus olhos.
Um leve beijo e um breve abraço
Penélope


Felinos...

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Sou, como você Entristeço Enterneço Está é a sina Nós, dois gatos pretos Nos procurando Pelas esquinas...
Malu Silva

Voo da alma...

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Minha alma sempre dá um jeito e sai em busca de coisas que muitas vezes nem conheço. Ela é inquieta e corre descalça... desnuda. Quer tocar algo maior, mais cheio de sentimentos. Logo pela manhã levanta voos, distantes e precisos, chegando a ficar o dia todo longe de mim. Depois volta leve, suave, sorrindo. Entra novamente em meu peito e me faz vibrar. Nesses dias de alma em fuga me silencio. Logo após me vejo segura, sabendo que nessas andanças da alma é inevitável tocar a FELICIDADE.
Malu Silva

Das nossas perdas...

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Quando nascemos abarcamos toda a existência nas mãos, mas com o passar do tempo, parece que em certos momentos, as mãos tornam-se pequenas e escorregam-se coisas aqui e acolá. Vamos perdendo sensações... emoções... Vamos perdendo pessoas e sonhos. Deixamo-nos ser invadidos por dores, mágoas, vazios, desilusões, saudades. Vamos nos tornando tão pequenos quanto as nossas mãos. Fica apenas a visão longínqua de que éramos grandes, mas foram tantos os naufrágios, que não há botes salva-vidas que nos resgate. Tenho aceitado essas perdas, mas há tantas outras que nunca vou superar. Aceito para que eu possa continuar a viver... para que meus olhos ainda possam brilhar de deslumbramento, porque a vida é uma dádiva e o agradecimento é o nosso resgate com tudo o que é DIVINO.
O UNIVERSO é imenso! Ele é tudo o que nos envolve, mas ele também é humano e quase sempre enredado por seres desumanos.
Malu Silva



Umidades...

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Quero, urgentemente, o canto dos pássaros, o perfume da humanidade, a água da chuva, gelada, em garrafas azuis. Preciso das fontes e das cachoeiras. Os pés fincados em terras molhadas e as mãos deslizando em gramas frias. Necessito agarrar-me à lua, às estrelas, aos planetas iluminados por coloridas candeias. Desejo o amor, tão delicado e natural, acompanhado de sonhos e fantasias. No fim de tudo, quero um toque de flor, um jardim de esperanças... um buquê gigante - filho de todas as Primaveras.
Malu Silva


Amar... amor... amando...

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Amar é bordar sonhos Pintar seus lábios risonhos Tecer teias em fios prateados Pendurar-se na Lua Amar é desenhar teus passos na rua Em pedras cintilantes Em noites de escuridão
Malu Silva

Amo-te...

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Amo-te, assim, num gesto distraído, numa eclipse de sorriso. Amo-te sem sentido, com ternura e carinho, espero teus passos pelo caminho... Amo-te, de soslaio, na sombra do olhar. Amo-te de coração, no momento presente, no instante ausente. Amo-te, calma e profundamente. Amo-te, por pouco e por muito, na superfície e no fundo. E, na curva do fim do mundo, amo-te! Amo-te, por tudo isso e,  mesmo sem nada disso,  eu ainda haveria de te amar.
Malu Silva

Correspondências quase diárias (Sensações atemporais...) (5)

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Em algum lugar de mim, 12 de agosto de 1989.
Meu Caro,
Esses pouco mais de 100 dias de hospital, dentro de um quarto, junto de meu pai, quase me fazem Os pensamentos deviam ser serenos, mas correm como cavalos selvagens dentro de mim. Tantas buscas e incompreensões. As filosofias são vãs e infinitas e mais velozes que os próprios equinos. Não há muitas explicações para a existência. Somos mistérios jamais revelados... ideologias frágeis e tolas.  Sou um tanto de esperança e fé, numa hora, para ser absolutamente oca, no segundo a seguir... Estou contaminada, meu querido. Numa metástase de inseguranças que que impregna-se em mim. Estou mais doente do que o próprio doente que geme, quase inaudível. Procuro por uma eternidade. Agarro-me a máximas que me são muito convenientes. Desejo alento. Clamo pelo salmo do Bom Pastor e Nele creio que nada me faltará. Depois pergunto quem é esse Deus que nasci com ELE e ELE comigo, mas que na maioria das vezes desconheço. Tu me compreendes! Compreendes mais do que e…

Grande magia...

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E no toque das mãos, no sopro do coração, a semente vira flor.
A tristeza pinta-se de alegria, o verso transverso desbrava os sonhos, faz da solidão felicidade.
Tudo transborda em poesia, mescla de ternuras... essa é a grande magia.
Malu Silva

Dentro de mim...

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Sou cria da noite Rebento do dia Mulher madura Menina arredia. Sou o que mais temia -  Silêncio profundo Fenda vazia. Carrego a cruz nos ombros E um fardo de agonia. Sou amante... amada Errante e errada. Sou o enlaço da poesia. Manhã de verão Sol na varanda. Sou o horizonte azul O doce da hortelã. Sou viga forte O Sul e o Norte O musgo e o limo Presentes nos jardins. Sou tudo aquilo - bom ou mau Que se dissolve dentro de mim.

Malu Silva

Correspondências quase diárias (Sensações atemporais...) (4)

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Em algum lugar de mim, 26 de abril de 1963
É outono! Manhãs de outono me enchem de luz. Já acordo com um sol fresco dentro de mim. A casa enche-se de bálsamos e de folhas da cor de terracota. Essa estação faz-me leve e livre. Tudo me vem delicadamente! A florescência dos jardins me encanta. Talvez seja por conta da florada que surge sútil, entre as ramagens ressequidas. Posso contar-te dos jardins outonais. Posso descrever-te os detalhes mais imperceptíveis... Ainda quero te fazer um poema de outono. Nele serei uma velha árvore, despida de todas as primaveras. Verá apenas um tronco tortuoso, onde poderá gravar as iniciais de todos os teus sonhos e eu os decifrarei com calma e alegria. Há tanto por se fazer nessa manhã de temperatura agradável. Há o desejo, a vontade voraz de trazer tuas mãos para perto da minhas e, juntas, as nossas mãos, permanecerem, por toda manhã, revolvendo a terra ainda fresca e orvalhada. Plantaremos juntos, as rosas dos próximos dias, aquelas que transcenderão as demais e…

Carona...

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Ela pegou o bonde da VIDA, logo pela manhã, quando o sol ainda apresenta as luzes mornas... um suave calor. Partiu para um caminho desconhecido, mas corajosamente desbravou todos os obstáculos. Banhou-se, lividamente, em águas estéreis. Frutificou a alma, árida e pálida, mas reluzente. Quase que, ao mesmo tempo, sorriu e suspirou, diante das infinitas possibilidades que o dia lhe oferecia.
Malu Silva
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Descobrindo fragilidades...

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Há noites que são intermináveis e trazem consigo a dureza da vida, porém acompanhadas da candura dos anjos. Os anjos são perfumados e carregam nas mãos gotas de jasmins. Vão lavando os corredores da nossa alma, abrindo janelas para a entrada do sol, das manhãs que sempre chegam.  essas mesmas noites mostram os horizontes de todos os nossos sentidos onde, os sonhos sonhados nos levam a descobrir, corajosamente, nossas fragilidades.
Malu Silva

Voos seguros...

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Temos que compreender que, por mais que nos doa, as importâncias mudam... passam. O que ontem era realmente feito para nós hoje não é mais. O mundo tem a capacidade de dilatar todas as coisas, e daí elas não se encaixam... não servem mais. É preciso exercitar a FLEXIBILIDADE. Deixar as coisas irem e virem naturalmente. Tudo aquilo que aprisiona, que nos faz empacar, deve ser jogado fora. O que deve estar presente, o tempo todo, enquanto caminhamos, é a nossa essência... nosso jeito original de ser. Falsas asas não produzem voos seguros. Desfaçamo-nos de tudo aquilo que nos impede de voar.
Malu Silva


Entre companhias e solidão...

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Na nossa caminhada nunca vamos só. Apesar do caminho ser só nosso há sempre aqueles que vão conosco. Muitos aguentam a jornada toda, outros dão dois ou três passos e nos abandonam. Há também aqueles que retornam depois de nos deixar parte da estrada. Assim vamos escrevendo nossa história, ou nossas histórias a todo momento, solitários, mas com alguma presença ao lado. Há pessoas por todos os cantos... algumas seguram as nossas mãos e outras nos soltam à beira de imensos abismos. Temos que agradecer a todas elas - as que se fazem constantes presenças e as que aparecem de vez em quando. Cada uma tem um motivo para nos acompanhar ou nos abandonar. Eu gosto das companhias, apesar de andar à sombra de tempos solitários. Coisas da modernidade! Redes sociais, comunicação virtual é o que sobrou... longas conversas por celulares. Olho nos olhos e só encontro vazios de toda essa gente que caminha comigo. Estão ocupados com as telinhas coloridas e com o mundo apetitoso e cheio de infinitas informações. Nã…

Ilusões...

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Ilusão... Marcas... Marca passos... Voz, Um átomo. Sedução... Um relâmpago. Toco o espaço. Estou farta... Tudo me basta! Descanso, mas sinto dor. Desamor. Sou um pedaço esparso. Uma peça solta sem refração. Parte de um caleidoscópio sem simetria. Por segundos, às vezes, perco a alegria. Logo após me refaço, num voo livre... longo... Saio pr'um passeio tranquilo. Então nada mais importa Porque sou novamente feliz Entre as ilusões... As marcas... Marca passos... Sou feliz por um átomo.
Apenas um átomo de voz.
Malu Silva