Correspondências quase diárias (Sensações atemporais)...(3)





Em algum lugar de mim, 16 de agosto de 1970.


Confesso que tenho preferido meus dias solitários. A solidão, as ausências, o vazio e o silêncio são bálsamos para a minha alma ávida de buscas.

As manhãs correm tranquilas e brancas como a névoa límpida. Posso ouvir o som do meu sangue correndo por cada parte do meu corpo. O coração bate sereno, em compasso melodioso. Nunca soube tanto de mim como sei agora, neste momento em que todos se foram e eu fiquei aqui, por livre vontade, por escolha.

Vejo cada detalhe deste lugar que habito. Tateio paredes em Braille... descasco pinturas antigas... descubro retratos queridos... viajo em sincronia com o tempo e o espaço... flutuo!

Ah! Estas manhãs longas e agudas, sem ninguém por perto. Sem palavras... sem voz! Somente a canção transparente das minhas metáforas ou quem sabe aforismos.

Não economizo os sonhos, os desejos secretos, as vontades que não pude cumprir por pudor.

Eu fluo no vácuo absoluto em plena liberdade... em voos perfeitos.

Não sei onde vou chegar... não sei o que vou descobrir...

Ainda minhas buscas permanecem veladas, nesse momento eu pertenço ao infinito e meus pensamentos volitam até você...


Um leve beijo e um breve abraço


Penélope

Malu Silva







P.S. - Espero que seja paciente com minhas divagações e complexidades desconexas.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Eu, nas entrelinhas - À FLOR DA PELE...

Eu, nas entrelinhas - O MELHOR DE MIM...

Eu, nas entrelinhas - ANÁLISE ÍNTIMA...