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Isonomia...

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Tocarei em você... Perderei-me em seus braços. Vencerei o cansaço, No afago da sua fala. Voltarei a ser criança, Para no seu colo me aninhar. Deixarei o seu corpo Confundir-se com o meu Para tocar-me total e incondicionalmente. Fecharei os olhos E darei-lhe um beijo, Entre um sonho ou dois... Na manhã seguinte, soltarei-lhe, Como quem solta as amarras De um barco atrelado ao cais. Mas faço tudo isso Se tiver a certeza De que também me quer, Tanto e quanto E, na mesma proporção Seremos felizes...
Malu Silva

Será sina...?

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Tenho postado muito pouco em certas redes sociais. É difícil a gente constatar que em certos lugares as pessoas estão apenas para bons dias, boas tardes e boas noites. Frases só se forem de efeito... aquelas bem PERFEITAS, carregadas de FELICIDADES, ainda que essa felicidade seja superficial e extremamente aparente. Bem, se tiver que postar que sejam duas a três frases no máximo. Ninguém quer refletir, ninguém quer ler longos textos. Raros são aqueles que se compadecem com as dores alheias. O bom mesmo e abrir as janelas de um mundo absolutamente cheio de borboletas, arco-íris, céus luminosos, viagens encantadoras... No mais caia fora, porque de gente chata o mundo está lotado e não há espaço para mais ninguém. E eu confesso, sem maquiagem alguma, muito menos com exageros de sofrimentos, que ando no meu limite, cansada, com a fé abalada, remexida. Venho aqui porque é meu canto. É intimista. Quem vem aqui entra porque gosta, porque divaga como eu. Não estou para muitas ALEGRIAS. O momento é de DOR…

Todo sentimento...

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Sou as canções que ouço e sinto, porque umas apenas ouço em ouvidos desatentos; outras tornam-se suaves alentos... Há as que permanecem guardadas no coração: outras passam feito furacão. Músicas descartáveis. Canções eternas. Uma delas para cada sensação. Pautas tristes, com notas alegres. Sinfonias para os sonhos. Orquestras para os pesadelos. Assim é minha vida, intensa e sustenida Em claves de sol.
Malu Silva

Átomos de mim...

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Lembranças Recordações Sensações Emoções Saudades Alegrias Tristezas Febres Amores Loucuras Vidas LIBERDADE...
Malu Silva

Secret garden...

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Gostava de saber, com absoluta precisão, o que plantei pelos solos, muitas vezes movediços, do meu jardim... Ora gramas coloridas e rentes, macias e cintilantes de orvalho, logo pela manhã; ora girassóis mais dourados quanto o próprio astro. Quem sabe joguei pelas terras láteas, sementes de miosótis e acácias... jarros vazios. Em dias de sol bem quente, vi abrir onze-horas febris. Ao cair da tarde os hibiscos floriram em furta-cor e as damas-da-noite iluminaram a lua junto das camélias transparentes e virginais. Gostava de saber se fui jardineiro a semear belas árvores vermelhas ou réstias de baobás. Meu jardim, este canto secreto, onde lírios brancos se abrem e se fundem com pássaros e borboletas... onde meu corpo se poliniza com as abelhas. Este meu jardim, no qual plantei um banco sob aromas de macieiras, onde passo todas as tardes a enamorar-me de ti.
Malu Silva

Deixa-me...

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Deixa-me solta como a pétala da flor que se desprende e vai ao vento - leve... breve... feito a própria brisa.
Deixa-me livre, como ave que alça voos insanos a procura de sonhos.
Deixa-me construir saudades, desejos e descobrir gostos.
Deixa-me segura, para poder tocar teu rosto e desbravar teu corpo...
Deixa-me assim, como pés de bailarina, nas pontas, no passo marcado, delicado
Deixa-me absoluta, inteira, serena.
Deixa-me caminhar, antes pelos meus caminhos, depois pelos teus...
Deixa-me a voz no ouvido, aguça-me todos os sentidos...
Deixa-me a porta aberta, entre a luz da noite e o sol do meio-dia.
Deixa-me sempre vazia, Para que possa encher-me de ti.
Malu Silva

Por teus pés...

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Tu que caminhas, por entre longínquas estradas, Seja tua mochila vazia ou pesada... Se, pesada, distribuas tuas riquezas aos passantes Se, vazia, acumules os bens universais como o amor, a ternura, a compaixão Ou, simplesmente, uma prece em teu coração. E, assim, segues à frente, Oferecendo o que de mais precioso tens. Ajustes tuas sandálias... Dois ou três pares, porque a caminhada é longa E, teus pés, não devem fragilizarem, para que continues a andar. Mas, caso sangrem, Que haja um bom samaritano, sempre, à beira da tua estrada. Caminhes... Por mais triste, difícil e duro que possa ser teu caminhar. Lances tuas sementes na aridez da terra E as regue com tuas lágrimas em flor. Caminhes... E, que entre teus passos, por teus pés, Possamos nós, colhermos, em cestas de vime, As lições que trouxeres Dos mundos distantes que visitares.
Malu Silva

Todos os dias...

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Encontro-me todos os dias frente a tanta gente... Prantos sorrisos e correrias. Toco palavras que vão de encontro comigo e tiram meus olhos do próprio umbigo. Saio dos escombros. Sinto cheiros. Não perco a noção do horizonte. Logo adiante uma estrada surge e vagarosamente me conduz a um mar de sonhos e, neles, a esperança de um cais a me esperar...
Malu Silva

Crônica do tempo...

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Se existe uma coisa que tem me sobrado, ultimamente, é tempo. Isso mesmo! Você pode dizer - Nossa!!! Como ela consegue, se é algo que nos falta muito! E eu digo, tempo é relativo e somos nós quem o fazemos. Ah! Mas não pense que meus dias são doces e macios e fico sem fazer nada. Muito pelo contrário, tenho tido tempo de sobra e feito coisas em excesso.  Acordo muito cedo e recolho-me na calada da madrugada. As tarefas são quase intermináveis, mas tenho dado conta entre um fôlego e outro.
E com essa sobra de tempo, acabei por me tornar mais contemplativa e, como uma coisa puxa outra, no meio da contemplação descobri coisas agradáveis e não tão agradáveis também. Uma delas é que, a gente envelhece e envelhecer tem os dois lados da moeda, como qualquer coisa na vida. Aliás, tudo tem sempre os dois lados da moeda.
A coisa boa é que sermos mais idosos nos dá a possibilidade de sermos nós, sem meias caras, meias bocas, meias palavras. Envelhecer nos torna inteiros, quando na verdade deveríamos …

Cantiga da noite...

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Cai a noite de mansinho E os anjos bem baixinho Pra você irão cantar. Pois bem sabem que está longe E, por verem minha tristeza, Do teu sono vão cuidar. Perfumarão teu travesseiro E, em teu quarto as estrelas, Feito abajur, hão de brilhar... O Senhor Deus, por meu pedido, Ao teu lado, bem Escondido, Tua mão segurará. Tua noite será calma... Na manhã seguinte, Acordará leve Feito vento ou feito brisa. No teu rosto haverá sorriso, Na tua mão, uma flor E voando bem depressa Para mim virá, declarar o teu amor. E, eu aqui, do outro lado, Estarei a lhe esperar Com os braços sempre abertos Para teu corpo aconchegar. Assim há de ser tuas idas e voltas Toda vez que viajar Pois nem mesmo a saudade Haverá de me fazer chorar... Para você serei só alegria, Serei festa... serei emoção... Não terá dor, nem melancolia Porque será seu meu coração. Dessa maneira, sempre juntos, Vamos transpor a eternidade Como almas que se unem Para viver a felicidade.
Malu Silva