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Que o tempo se reverta...

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Chega a noite Vem o dia Andanças e mais andanças Infinitas correrias Passos ermos a esmo Desesperados, atrás da felicidade Cortam-se raízes Aparam-se arestas Consomem o que de pouco resta Olhos vesgos pelas frestas Tudo a esperar que o tempo Se complete Ou se reverta
Malu Silva



Há coisas que só podem ser feitas por nós...

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A carga emocional é grande! Dizem que não devemos falar de tristezas, mas se a gente não fala todo o resto adoece. É preciso deixar o corpo transpirar, escorrer os fluídos que para nada servem... A casa de dentro, a residência íntima, merecem uma faxina, porque a alma não respira quando os entulhos são muitos. Eliminar sentimentos que só servem de travas, que nos arrastam para abismos ou poços sem fundos, é sempre necessário, mas vale lembrar que é uma atitude extremamente pessoal. Tipo assim - SÓ VOCÊ PODE FAZER POR VOCÊ E NINGUÉM MAIS...
Malu Silva



Falta de inspiração...

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Acho que perdi o jeito. Não faço um verso sequer direito. O que me saem são somente poesias tortas, sempre com defeitos... dessas às avessas e sem rimas. Borrões ilegíveis que vão desenhando a minha sina. Briguei com a inspiração!
Talvez seu prazo de validade tenha expirado e não me inspirado.
Malu Silva

Leitura noturna...

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Leia meus versos no silêncio da noite.  Eles trazem minh'alma e, nela, os poemas da minha vida inteira.  Desvelam o que em mim ainda não compreende - linguagem de loucuras; meu simples estremecer, diante da brisa; partes escuras e ofendidas... aquelas, que a brisa não acaricia.  Perceba, nas entrelinhas, verdades e mentiras, e tudo o que mais queira perceber nestas minhas linhas inconstantes...  E assim, conforme a noite te passa, na fosca luz da madrugada, pense-me, uma vez ou outra... sonhe com os beijos das nossas bocas e, dentro deste presente/pretérito, mais que perfeita conjugação, deixa-me, no infinitivo, neste amar-te, perdidamente, aqui, distante, enquanto me lê.
Malu Silva

Entre a canção e a poesia...

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Não sei como cheguei até aqui Mas sei que estou em tuas mãos Sem saber se existo Sem saber para onde vou Se parto ou se fico... E tu, estarás comigo neste abrigo Que são as minhas lembranças?
Por quais caminhos cheguei até ti? Vim pelos mantos das valsas, No som distante do gramofone, Desabei de penhascos, Desci de tiras de estrelas vermelhas...
Qual foi o trajeto que me trouxe Ou te trouxe...? Não sei! Somente sinto que viemos - eu e tu Pela mesma estrada Seguindo rastros de poeira E, sob o imenso azul do firmamento, Amalgamamos nossa existência.
Estou aqui, amor, E tuas mãos, de longe, Tocam as minhas, Entre uma canção e uma poesia.
Malu Silva

Correspondências quase diárias (Sensações atemporais...) (7)

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Em algum lugar de mim, 11 de julho de 1965.
Um dia disse-me por Alice Vieira - " SEMPRE AMEI POR PALAVRAS MAIS DO QUE DEVIA. aS PALAVRAS SÃO PERIGOSAS QUANDO AS SOLTAMOS."
As palavras nos revelam. Mostram as nossas fragilidades que, por questão de sobrevivência alheia, usam nossas revelações para nos exterminar! Mas, mesmo assim, lá estamos nós, a escrever nosso coração fora do peito, desnudando nossa alma sem meias palavras, somente com sentimentos. A vida é uma enorme pedra de gelo que nos queima com a sua frieza. Para nos mantermos viventes há que se mostrar as garras todos os instantes, com poesia, com delicadas palavras, cheias de sons, de fonética, que escolhemos a dedo, para amenizar o monstro que existe em cada um de nós... E somos monstros porque temos medos. Todo ser cruel é fruto de medos! Fico a pensar que todos nós somos vítimas de nossos desafios, assim como foi Lady MacBeth. Sempre haverá uma luta contra nossas antíteses, não importa o tempo e muito menos nossas person…

O que penso sobre jardins...

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Gosto mesmo é de flores, mas não tenho mitas delas. Aliás, não tenho nada e tenho tudo; tenho pássaros, flores, insetos... tudo o que há no mundo eu tenho, mas nada é meu! É do mundo! Não acumulo nada! Bastam-me as flores que nascem nos jardins, que também não são meus! Gosto das rosas azuis, apesar de saber que, para obtê-las é preciso tintura. Gosto de gérberas, hortênsias, miosótis, amores-perfeitos, calêndulas, alfazemas, orquídeas, lírios... gosto de soprar os dentes-de-leão. Tenho uma orquídea que me pertence há anos e um lírio da paz que floresce todos os anos, enchendo o vaso de grandes alegrias. Tenho um canteiro em casa e minha diversão é ver nascerem as pequenas plantas. Tudo vai se criando, florescendo, juntando revoada de borboletas. É isso que me encanta nos jardins - essa abnegação... essa harmonia na disseminação dos pólens... Tenho também os pássaros que vivem pelas minhas janelas a me fazer visitas. Há um beija-flor que invade sorrateiro minha sala e faz festa pelo lustre. Ten…

Na minha simplicidade...

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❝ O amor nunca se foi. O que foi era o sentimento do outro. Meu peito sempre esteve aberto em palavras e gestos. Se me sentiram calada é porque não souberam ler o explícito. Nunca fui rebuscada, nem cultivei os rococós ou excessos... pelo contrário - sempre me apresentei na nudez do simples, na clareza absurda de quem se doa, por inteiro.❞
Malu Silva

Das nossas ausências...

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❝ Ainda persistem os dias de ausências, de silêncios longos e desoladores.  Mas são esses instantes incompreensíveis e inférteis que mais me descubro repleta de esperanças. São nesses momentos de lacunas em que descobrimos nossas maiores capacidades. São nos nós dos avessos que conseguimos dar conta de terminar os mais finos bordados.❞
Malu Silva

Céu da tarde...

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Essa tarde olhei para o céu. Perdi-me na amplidão de um azul que não se pinta... que não se classifica. Eu vi os pássaros passarem e, nas suas asas, levarem, para bem longe, todas as dores do mundo.
Malu Silva